quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Queima como avião; fumaça igual avião; desliza como avião... É um avião!


É. tudo nela remete a um avião. A turbina de um avião queima sem cessar, igual ao cilindro dela em que a cada subida é uma queima; fumaça igual turbina de avião e desliza como avião; já que avião não tem freio-motor no céu em velocidade de cruzeiro; só redução de manete. Exatamente; aviões só podem aplicar flapes, slats, spoilers, spoilerons e flaperons em baixa velocidade; menos da metade da velocidade de cruzeiro. E só usam as rodas no chão. Alguma coincidência, não é? Pois é, vos apresento a lenda: A Yamaha RD 350 LC.

Esta é a RD 350 R, liquid cooled (LC) ou refrigerada á água; com 350 cilindradas, 167 kilos e 55 cavalos. Estamos diante de uma das mais polêmicas motocicletas existentes no mundo e também de uma motocicleta especial, impossível de comparar-se às convencionais. E esta polêmica se dá, certamente, porque seus usuários não têm o conhecimento técnico necessário para compreendê-la mais intimamente, compreender a característica de seu motor e perceber que a esta motocicleta está em um ambiente completamente diferente dos motores comuns, como se numa espécie de outro planeta: Sim, um outro planeta, porque quando falamos de motor dois tempos de alta potência a conversa é completamente diferente dos motores convencionais de quatro tempos.

O primeiro choque que daremos aos leigos apaixonados por motocicleta é dizer que esta motocicleta se comporta como um avião. E seu motor, como uma turbina. Vamos começar pelo motor e terminar pela motocicleta.

O motor dois tempos não tem nenhum tempo ocioso: Toda vez que seu cilindro sobe em direção à vela ele recebe explosão e conseqüentemente, força. Ou seja, exatamente como uma turbina de avião; onde as explosões são contínuas e tão rápidas que o fluxo é visto como um jato de e gases quentíssimos que geram uma baixa pressão na frente da asa e assim empurram o avião.

Já o motor quatro tempos, este tem três tempos ociosos e apenas um tempo de força, onde ocorre a explosão. Esta é a razão porque os motores a dois tempos acabam tendo, obviamente, três vezes mais força que seus semelhantes quatro tempos, com a mesma cilindrada, nas mesmas condições de engenharia.

Já a comparação desta motocicleta com avião é simples: O avião não tem freios em um vôo de cruzeiro: Ele tem uma leve redução, se "cortamos" as manetes. Não que esta motocicleta não tenha freios; mas ela não conta com um freio motor eficiente e a razão é simples: No motor a dois tempos não existe uma quantidade suficiente de peças que gerem uma inércia, onde, no momento em que o motor não está queimando, gerem atrito suficiente para a redução de velocidade da motocicleta. Exatamente: O motor a dois tempos tem uma quantidade de peças infinitamente menor e não tem tempos ociosos para também gerar inércia na biela.

E onde está a comparação com a turbina do avião? A turbina do avião não tem também um conjunto de peças cuja inércia se oponha ao giro de seu eixo que inclui “fan” e compressor. Para uma turbina deixar de produzir força, um basta que você apenas corte a alimentação dela; no entanto, não há peças móveis significativas cuja inércia e atrito sejam capazes de diminuir a velocidade do eixo da turbina, o que também não faz a menor diferença para a diminuição da velocidade do avião. Para os que não estão familiarizados com aeronaves, ela tem dois tipos de freio: Os aerodinâmicos, que só são utilizados em baixa velocidade; a bem dizer, praticamente na metade da velocidade total dela e os freios das rodas, que só são utilizados no momento do pouso em conjunto com os freios aerodinâmicos e o reverso da turbina. Desta forma, já surge uma comparação conclusiva, adiante.

Esta motocicleta, tal qual um avião, em seu regime de velocidade, não conta praticamente com freio motor e deve contar, com muito cuidado, com os freios de suas rodas. É como se disséssemos: Ela não quer parar de andar, tal qual um avião não quer parar de voar. Assim como o avião não quer para de voar e que, para isso, temos que "sujá-lo" aerodinamicamente, esta motocicleta praticamente, é solta no espaço; não tendo praticamente atritos significativos que a façam parar em alta velocidade, como um avião. Perceba-se, ainda na feliz comparação com o avião, este também não conta com um freio motor nas turbinas na modalidade “corte de potência”, contando justamente com contrário, aumento de potência: explico: Um o dispositivo chamado reverso faz com que os gases que normalmente saem por trás da turbina, passem a dar uma curva na saída e serem ejetados para frente e, óbvio, nessa posição a turbina não está em corte de potência e sim em incremento de potência; coisa muito diferente do conceito de freio motor que é baseado na inércia das peças internas.

Ou seja, esta motocicleta é um AVIÃO! Fora o exagero da brincadeira, ela é uma motocicleta especial e, só compreendendo o princípio de seu motor, que é uma "verdadeira turbina de queima constante", você poderá desfrutar dela com prazer e segurança. Conduzi-la em regime de potência, sabendo que a toda potência implementada na manete, ao desacelerar, praticamente não haverá desperdício, pois o próprio motor não desperdiça aquilo que ele produziu pelas razões já supramencionadas. É para ser pilotada sempre dosando sua potência; enfim, só conhecendo-a de perto, é que aprende-se a pilotá-la e ter dela benefícios únicos, que nenhuma outra motocicleta será capaz de dar.

Assim, confirmando tudo o que já foi dito acima, essa moto é um "jato"; moto p'ra quem está acostumado com motor dois tempos, pois esse motor não tem ciclo "apagado"; toda vez que o pistão sobe, é queima e é potência! É semelhante à eficiência de uma turbina de avião, que queima direto não tendo ciclos ociosos ou apagados como o motor quatro tempos; ciclos estes, apagados, que são justamente os que seguram uma moto quatro tempos comum. Ou seja, o motor dois tempos e a turbina de avião queimam direto desde que injetado combustível. É o motor mais eficiente do mundo, inclusive é usado nos navios e aviões onde a relação peso x potência é indispensável; sendo que os motores de navio dois tempos são movidos a diesel. Então, quem desejar comprar uma RD 350, deve fazer um "estágio" primeiro numa RD 125 ou 135 bem mansinha, é o conselho de quem já teve RX 125 e RDZ 125. É moto para pilotos de 2T e não para simples motociclistas.


Entendendo o funcionamento de um motor 2T: http://ciencia.hsw.uol.com.br/motor-2-tempos2.htm

E-mail: joaquim777@gmail.com

COMENTÁRIO


Joaquim Martins Cutrim disse...
O problema não era com a "Viúva Negra"... Mas sim com gente que não sabe andar em moto, ou melhor, pilotar motos que tem que ser pilotadas! O motor 4T é benevolente; um motor "amarrado" de nascença pelos seus tempos adormecidos (3 tempos adormecidos para um tempo vivo); sendo benevolente, PERDÕA OS ERROS DE PILOTAGEM dos guris. É a mesma coisa que você sair de um avião turbohélice para pilotar um JATO... Aviões a jato são "quentes", que nem a nossa RD 350, LC ou não. Lembrar que o motor 2T se comporta como uma verdadeira turbina de avião, QUEIMA DIRETO! Cuidado, aventureiros! #ficadica